Capítulo 8 - A história da princesa e das amendoeiras

Um dia, a princesa Carolina, do Reino de Escalhão e Castelo, perguntou ao pai, se, além dela, havia outras princesas na Europa e onde elas viviam. O pai dela explicou que sim, que na Europa havia reinos e principados, e que os mais conhecidos eram os reinos nórdicos. A princesa quis saber mais sobre estes reinos que ela ainda não conhecia a perguntou ao pai onde ficavam, como eram e como viviam as princesas desses reinos. Ele contou a ela as histórias dos reinos nórdicos, principalmente do reino dos Vanires, que ficava numa ilha de altas e geladas montanhas cobertas de neve, onde o rei construiu um grande palácio e um templo. O rei se orgulhava de sua linda filha e da sua frota únicos, entre todos os reinos. O reino de Vanires ficava localizado em um vale oculto, só conhecido pelos seus moradores, vale com solo fértil e cheio de vida, com matas com árvores frutíferas e que abrigavam todo tipo de animais e cachoeiras com águas cristalinas. Mas no inverno, a vale ficava todo coberto pela neve.

A princesa Carolina ficou muita curiosa e queria saber mais sobre este reino com o vale de solo fértil e coberto pela neve, no inverno. O pai dela aproveitou para a contar a história de um jovem príncipe de Escalhão e Castelo, que, viajando pela Europa, um dia visitou o reino de Vanires, e lá conheceu a princesa, se apaixonou por ela e, depois de um curto noivado, eles se casaram. A princesa nórdica era loura, de olhos azuis e porte altivo e muito carinhosa com o príncipe, que era, segundo a história contada pelo seu pai, o bisavô da princesa Carol.

Ao casar-se com a princesa nórdica, eles foram viver felizes durante muito tempo no reino de Escalhão e Castelo. Mas um dia a bela princesa do Norte caiu numa tristeza sem razão aparente.  O príncipe a tratava com toda atenção e carinho, fazia tudo para a agradar, só que ela andava sempre triste, a suspirar pelos corredores do palácio. De tal maneira que o príncipe, preocupado com a tristeza de sua amada, foi pedir conselhos aos sábios do reino. Orientado por eles, fez muitas festas, com muita música, bailes, muitos banquetes, tudo em honra de sua princesa, mas ela continuava triste e cabisbaixa. Até que um dia, uma dama de companhia da princesa contou ao príncipe, em segredo, que a tristeza da princesa era pela saudade da neve da terra dela, já que no reino que ela agora vivia praticamente não havia neve. O príncipe ficou desolado, mas um dia estava passando pelos campos floridos e reparou que havia árvores com flores brancas e muito lindas, e pensou: “E isto! Vou mandar plantar destas árvores em volta do castelo e em todo o reino, e assim, quando as flores cobrirem o chão, vai parecer com a neve das terras nórdicas”. Mandou plantar muitas árvores, até onde a vista alcançasse e quando as amendoeiras estavam floridas e as pétalas cobriam o chão, a princesa foi à janela, viu aquela linda paisagem, que fez logo lembrar a brancura da neve da sua terra natal. A princesa ficou muito feliz e correu a agradecer ao príncipe a "neve" que as flores das amendoeiras lhe faziam lembrar-se de sua terra natal. E ela nunca mais ficou triste. O príncipe e a princesa viveram longos anos de um intenso amor, esperando ansiosos, ano após ano, o maravilhoso espetáculo das amendoeiras em flor. E é por isto que, até hoje, há tantas e tantas amendoeiras no reino de Escalhão e Castelo. 



















































Comentários

  1. E as amendoeiras floridas foram um dos principais temas do pinto Vincent Van Gogh quando estava em Saind Remy de Provence, como se pode ver nas ilustrações.

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